Uso excessivo de telas pode atrofiar a leitura

5 agosto, 2019 • 4 minutos

Seja sincero, qual foi a última vez que você verdadeiramente leu um texto? Mas uma leitura real, concentrada, entendendo cada aspecto do que foi escrito. Provavelmente você deve ter parado para pensar. Com a agilidade do mundo moderno e o excesso de informações ao qual estamos expostos, a leitura tradicional está perdendo espaço para aquela “passada de olho” superficial e rápida. Pode parecer besteira, mas o hábito está atrofiando a nossa capacidade de interpretação textual.

Essa foi a constatação da neurocientista cognitiva americana, Maryanne Wolf. Pesquisadora da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) e autora do livro “O Cérebro no Mundo Digital – Os desafios da leitura na nossa época”, editora Contexto; Wolf aponta o uso excessivo de telas, como tablets e celulares, como o responsável por dificultar o processamento de informações lidas pelo nosso cérebro.

O funcionamento do nosso cérebro

Para compreender como isso acontece é preciso entender o funcionamento do nosso cérebro nessa situação. Você já percebeu que não nascemos com a habilidade de leitura, mas que ela é adquirida com o tempo. São as lições escolares e a prática constante que fazem com que o nosso cérebro crie circuitos capazes de identificar e relacionar os símbolos de maneira mais rápida e eficaz. Ou seja, a habilidade de leitura precisa ser criada e treinada, tendo resultado de acordo com os nossos costumes.

É justamente nesse ponto que que os hábitos digitais podem apresentar os seus efeitos mais nocivos. Como celulares e tablets favorecem uma leitura pouco aprofundada, com o tempo, eles acabam prejudicando justamente essa prática. Gerações consideradas “nativas digitais”, por exemplo, tendem a ter dificuldade de interpretar argumentos complexos ou sutilezas textuais, como emoções e ironias.

A questão fica ainda mais ampla ao analisar a produção de conteúdo. Uma vez que a audiência tenha dificuldade de interpretar, os próprios autores precisarão simplificar a sua obra. A própria pesquisadora teme que, aos poucos, vamos perder uma capacidade de leitura complexa que levamos milênios para desenvolver.

Ler ou não ler? Eis a questão

A dificuldade de interpretação não se dá apenas no âmbito da leitura por diversão, mas em outros aspectos importantes, limitando, principalmente, a leitura crítica que é tão importante para a carreira e vida social. Mas isso não significa que a leitura em telas deve ser abolida do nosso cotidiano. Na verdade, é uma questão de saber usar as ferramentas adequadas na hora certa.

Segundo os especialistas, boa parte dos textos são realmente superficiais e podem ser lidos em uma tela sem grandes problemas. Porém, ao encontrar questões que demandem mais atenção, o ideal é procurar pela opção impressa. Além disso, como o nosso cérebro se modifica a partir dos estímulos, é importante sempre buscar leituras que ampliem os circuitos cerebrais, mantendo a prática de ler em dia.

Se você tem dificuldade de escolher a sua próxima leitura, então é melhor dar uma passada aqui na Livraria do Espaço Sophia. Com um pouco de conversa a gente vai achar algo que se adeque ao seu estilo e promova um bom estímulo para seus circuitos cerebrais. Veja nossos destaques do mês.

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